quarta-feira, 22 de julho de 2026

Promoção da inclusão e tratamento digno para todos deve ser o primeiro objetivo

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A luta contra a pobreza deve ser construída com mecanismos de cooperação eficazes

          Nota da Comissão Nacional Justiça e Paz


A Comissão Nacional Justiça e Paz saúda a promulgação do diploma que autoriza a criação da Prestação Social Única. A ideia de unificação das treze prestações sociais não contributivas em favor dos mais pobres é positiva. Ela contribui para a simplificação do sistema e para que todos aqueles que precisam beneficiem efetivamente de apoios sociais.

A CNJP louva o diálogo estabelecido em torno desta iniciativa legislativa. Este foi muito relevante para a afirmação de um consenso alargado em torno da garantia de que a unificação das prestações sociais não pode servir de pretexto para recuar em relação à proteção atualmente oferecida aos mais pobres.

O debate originado foi decisivo para sublinhar que a integração dos mais pobres na sociedade é uma prioridade. E também para ressaltar que a entrada no mercado de trabalho não é o único meio para essa mesma integração. O aumento da formação profissional, a par da valorização pessoal e social – contribuindo resolutamente para a desestigmatização das situações de pobreza –, são fatores que não devem ser descurados.

Tendo consciência de que o trabalho legislativo em curso não termina com a promulgação do Presidente da República, a Comissão pede uma particular atenção na concretização da presente autorização legislativa. Isto, para que, pelo menos, os aspetos que foram assinalados no relatório da OCDE que serviu de base para a criação da Prestação Social Única, fiquem acautelados.

Deve ser claro que a adoção da Prestação Social Única deve ser o ponto de partida para uma maior convergência com o nível de proteção social concedido pelos demais Estados europeus.

Deve também ser cristalino que a luta contra a pobreza exige que se invista mais (e não menos) nos apoios sociais mínimos, para que estes produzam um maior e mais decisivo impacto na redução da pobreza. Concretamente, a CNJP assinala que este é o momento para promover uma reflexão tendente a um alargamento da cobertura de proteção social a todos quantos necessitem, bem como uma maior aproximação do valor de referência da prestação social mínima ao valor do limiar de pobreza.

A CNJP recorda que a luta contra a pobreza deve ficar a salvo de qualquer tentação de refletir, seja o lugar de privilégio de alguns, seja as narrativas polarizadoras e penalizadoras para os mais pobres, que destroem o diálogo social. A luta contra a pobreza deve ser construída com mecanismos de cooperação eficazes, que promovam a coesão social, a inclusão de todos e garantam que a pobreza não é motivo para um tratamento indigno das pessoas.

                                                

Lisboa, 22 de julho de 2026

A Comissão Nacional Justiça e Paz




CNJP - Comissão Nacional Justiça e Paz
Conferência Episcopal Portuguesa
Quinta do Bom Pastor, Estrada da Buraca, 8-12 
1549-025 Lisboa

Tel 218 855 480

quarta-feira, 15 de julho de 2026

A oração em ucraniano de Zuppi em Kiev: “que Deus conceda uma paz justa”

 




No terceiro dia de missão do presidente da conferência dos bispos italianos à Ucrânia, em Lviv, o Cardeal Zuppi reuniu-se com deslocados atendidos pela Comunidade de Santo Egídio. Na capital estão a decorrer as celebrações do Dia da Soberania Ucraniana, feriado civil e religioso que comemora o batismo da Rus’ de Kiev, durante o qual o cardeal depositou um buquê de rosas e rezou para que os prisioneiros voltem para casa, as crianças possam abraçar as famílias e os desaparecidos sejam encontrados.

    Para aquele mesmo céu de onde, até a última noite, caíram mísseis que     destruíram infraestruturas civis, o cardeal Matteo Maria Zuppi, da capital Kiev,     elevou uma oração em ucraniano a “Deus Todo-Poderoso” pela “querida     Ucrânia”, pedindo bênção e proteção:


“Conceda uma paz justa, para que os prisioneiros possam voltar para casa, as crianças possam abraçar novamente suas famílias, os desaparecidos sejam encontrados e todos possam chorar diante do corpo do seu ente querido que morreu. Inspire em cada um de nós a coragem e a sabedoria para sermos construtores de paz…”

terça-feira, 7 de julho de 2026

SOLIDÁRIOS COM O POVO DE CABO DELGADO

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SOLIDÁRIOS COM O POVO DE CABO DELGADO

As comissões Justiça e Paz abaixo indicadas, depois de conhecerem um muito completo relato da situação da parte de D. António Juliasse, bispo de Pemba, querem chamar a atenção de toda a sociedade portuguesa para a dramática situação que, desde há quase dez anos, continua a vitimar a população de Cabo Delgado. Não queremos que essa situação caia no esquecimento ou na indiferença, ou que a ela nos resignemos, como se de uma inevitável fatalidade se tratasse.

São mais de um milhão as pessoas deslocadas e mais de seis mil as que foram mortas, muitas delas assassinadas por decapitação. Cerca de cento e vinte são as igrejas e capelas destruídas.

Por detrás destas ações terroristas está uma ideologia radical que invoca o islamismo e que atinge em particular os cristãos, mas também a população em geral. Essa ideologia atrai adolescentes e jovens, que rompem tradições familiares e que se deparam com a ausência de perspetivas de futuro em contextos de pobreza e desemprego.

Para contrariar a influência dessa ideologia, são da maior importância o diálogo e a colaboração entre diferentes comunidades religiosas, incluindo as comunidades muçulmanas que a rejeitam como deturpação do Islão, e atividades comuns de educação das jovens gerações para a paz.

A população de Cabo Delgado pouco tem beneficiado com os investimentos das empresas multinacionais que exploram as riquezas da região e verifica-se que a salvaguarda da segurança desses investimentos parece ser privilegiada em relação à proteção dessa população. Esta também sofre com abusos de membros das forças militares governamentais que não são fiéis à sua missão de proteção.

Para além de toda esta tragédia, sabemos como a fé das comunidades cristãs no Amor de Deus que não as abandona lhes dá a força de nunca desanimar e perder a esperança. À imagem da Igreja dos mártires dos primeiros tempos do cristianismo, a vitalidade dessas comunidades não esmorece.

Conscientes da complexidade que caracteriza toda esta situação, aqui deixamos este apelo: à sociedade civil, para que colabore no sempre necessário apoio humanitário; aos órgãos de comunicação social, para que não deixem de relatar e cair no esquecimento a dramática situação atual; às empresas que operam na região e governos que as possam influenciar e às instâncias políticas moçambicanas, portuguesas e europeias, para que em todas as suas decisões coloquem o bem do povo de Cabo Delgado acima de quaisquer interesses políticos ou económicos. Para que não continue o sofrimento deste povo, que já muito tem sofrido.

  

A 7 de julho de 2026


A Comissão Nacional Justiça e Paz

A Comissão Justiça, Paz e Ecologia dos Institutos Religiosos

A Comissão Diocesana Justiça e Paz do Algarve

A Comissão Diocesana Justiça e Paz de Angra

A Comissão Diocesana Justiça e Paz de Aveiro

A Comissão Arquidiocesana Justiça e Paz de Braga

A Comissão Diocesana Justiça e Paz de Bragança-Miranda

A Comissão Diocesana Justiça e Paz de Coimbra

O Secretariado Diocesano de Pastoral Social do Funchal

A Comissão Diocesana Justiça e Paz de Lamego

A Comissão Diocesana Justiça e Paz de Santarém

A Comissão Diocesana Justiça e Paz de Setúbal

A Comissão Diocesana Justiça e Paz de Vila Real

A Comissão Diocesana Justiça e Paz de Viseu

quarta-feira, 1 de julho de 2026

 


Os plátanos das praças portuguesas têm frequentemente 150 a 200 anos. Foram plantados nas grandes obras de urbanização do século XIX — a mesma época em que se abriram as avenidas de Lisboa e os jardins públicos de Porto, Coimbra e Évora.

Um plátano adulto desta idade tem uma copa que pode cobrir 400 a 600 metros quadrados. Transpira até 500 litros de água por dia em pleno Verão.

Reduz a temperatura local em até 8 graus. Suporta mais de 300 espécies de insetos — incluindo muitas borboletas e abelhas nativas.


sexta-feira, 12 de junho de 2026

Dia Mundial de Oração pela Santificação dos Sacerdotes

  

No Dia Mundial de Oração pela Santificação dos Sacerdotes, 

trazemos a Oração que todos podem rezar pelos nossos sacerdotes.

Senhor Jesus,
Sacerdote Único, 
santificai todos os sacerdotes.
Conservai-os em comunhão
com o vosso amor,
fortalecei-os nos seus cansaços
e enchei os seus corações
da plenitude do Espírito Santo.

Que a humanidade
de cada sacerdote
seja instrumento
de vossa misericórdia
e caridade pastoral.

Ámen.

terça-feira, 2 de junho de 2026

Magnifica Humanitas

«Magnifica Humanitas»

"Não devemos temer a inteligência artificial, mas sim manter sempre em jogo a questão do ser humano. Não podemos ser negligentes com os nossos instrumentos técnicos mais potentes.”

Leão XIV


 

domingo, 17 de maio de 2026

Poursuivre la mission

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Il faut parfois que l’autre s’en aille,
Pour pouvoir prendre sa vraie place
Et donner le meilleur de soi.
C’est souvent quand il est parti
Qu’on joue le risque d’oser sa vie.
Il faut parfois que l’autre s’en aille,
Pour qu’au cœur de nos arrachements,
On ait la patience d’attendre
D’autres surgissements,
D’autres paroles,
D’autres refrains.


Il faut parfois que l’autre s’en aille,
Pour donner tout ce que l’on a
Dans les tripes et dans le cœur,
Et vivre enfin son propre destin,
« à fond la caisse », à fond la vie.
Il a bien fallu, Seigneur, que tu t’en ailles,
Pour que naissent les audaces de Pierre,
Pour que surgisse la foi de Thomas
Et peut-être qu’à notre tour aussi,
Nous puissions continuer la mission.

  Père Robert Riber (2013†)

quinta-feira, 14 de maio de 2026

Dia da Espiga - Quinta-feira da Ascensão

 


O Dia da Espiga é uma celebração tradicional portuguesa onde é costume ir ao campo colher o "ramo da espiga", que deve ser guardado em casa até ao ano seguinte como símbolo de prosperidade e sorte.
Cada elemento do ramo tem um significado específico:
- Espigas de Trigo ou Centeio: Simbolizam o pão e a abundância.
- Papoilas: Representam o amor e a vida.
- Malmequeres: Simbolizam a riqueza (ouro e prata).
- Ramo de Oliveira: Significa a paz e a luz.
- Videira: Representa a alegria (o vinho).
- Alecrim: Simboliza a saúde e a força.
Feriados Municipais
Embora não seja um feriado nacional, o dia 14 de maio de 2026 será feriado municipal em vários concelhos de Portugal que mantêm esta tradição viva.
Esta data coincide anualmente com a Quinta-feira da Ascensão, ocorrendo exatamente 40 dias após o Domingo de Páscoa.
Para a Igreja Católica, este dia celebra a Ascensão de Cristo ao Céu perante os Apóstolos e marca o fim da presença física de Jesus na Terra. Simboliza a promessa cristã da vida eterna e o início da missão da Igreja no mundo.

segunda-feira, 11 de maio de 2026

PAZ E SEGURANÇA PARA O NORTE DE MOÇAMBIQUE Apelo da Comissão Nacional Justiça e Paz

 

O ataque terrorista recentemente perpetrado à Paróquia de São Luís de Monfort e à missão católica de Meza na diocese de Pemba, Moçambique, deixa-nos profundamente chocados e com receio do recrudescimento da violência contra a comunidade cristã. As imagens são devastadoras.

  Foram raptados 20 jovens, profanada e destruída a igreja, construída em 1946, e todas as estruturas da missão católica, privando a população de cuidados de saúde e instrução.

Cristãos católicos e cristãos de outras denominações viram as suas casas destruídas num ataque de ostensiva intimidação e perseguição e continua desconhecido o paradeiro dos jovens levados pelos terroristas, motivo de grande aflição para todos, em particular para as suas famílias.

Refira-se que a Comunidade Islâmica de Moçambique [CIMO] já condenou o ataque terrorista e manifestou “a sua profunda preocupação” pelo que está a acontecer na província de Cabo Delgado.

Infelizmente, o apoio da União Europeia às Forças de Defesa do Ruanda (RDF) ao abrigo do Mecanismo Europeu de Apoio à Paz — cerca de 20 milhões de euros — parece terminar este mês, o que não deixa auspiciar nada de bom, sabendo que as ações armadas já fizeram perto de 7000 mortos nos últimos 10 anos.

A Comissão Nacional Justiça e Paz lança um apelo às autoridades portuguesas, em especial a Sua Excelência o Ministro de Estado e dos Negócios Estrangeiros, para que lance mão de todos os meios ao alcance de Portugal de modo a fazer respeitar a paz e a segurança destas comunidades com quem partilhamos a nossa História e a Língua Portuguesa.

Quando todas as atenções se concentram no Golfo Pérsico e no massacrado Líbano, estes atos da mais bárbara violência ficam sem voz nos noticiários, pelo que nos juntamos à Fundação AIS (Ajuda à Igreja que Sofre) neste apelo.

 

Lisboa, 11 de maio de 2026

A Comissão Nacional Justiça e Paz


Seigneur, fais-moi rire

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J’ai des drôles d’idées, Seigneur.
Mais que veux-tu,
De penser à toi si proche de nous…
Si semblable à nous pour que nous devenions semblables à Toi
Me rend heureux.
Tellement heureux que je m’étonne que nous ne le soyons pas plus
Et je ne comprends pas que nous ayons l’air triste,
Quand nous parlons de Toi.
Et je ne comprends pas que nous ayons l’air triste,
Quand nous nous rassemblons pour Te prier,
Et offrir avec Toi au Père, ta souffrance…
Et des peurs, tes joies… Et tes rires, Ta vie…
Les hommes autour de nous,
En Toi croiraient peut-être plus,
Si nous étions davantage joyeux,
Et si on le voyait.
Pardonne-moi mes gamineries,
Mais j’ai envie de Te dire ce soir
Comme les tout-petits enfants sur les genoux de leur grand frère :
« Fais-moi rire ! »
Oui, c’est ma prière inattendue, Seigneur.
« Fais-moi rire ! »
Pour que je puisse à mon tour,
Faire rire mes frères. Ils en ont tant besoins !


Père Michel Quoist

quinta-feira, 23 de abril de 2026

23 DE ABRIL - DIA MUNDIAL DO LIVRO

 “Quem não lê, aos 70 anos terá vivido só uma vida. Quem lê terá vivido 5 mil anos. A leitura é uma imortalidade de trás para frente”.  

Umberto Eco


terça-feira, 3 de março de 2026

Declaração da Co-Presidência da Justiça e Paz Europa sobre a espiral de violência em curso no Irão e no Médio Oriente



Dijon/Copenhaga, 2 de março de 2026

 

 

Como Co-Presidentes da Justiça e Paz Europa, desejamos expressar a nossa profunda preocupação a respeito da espiral de violência que atualmente afeta o Irão e toda a região do Médio Oriente.

Temos particularmente no coração as populações afetadas no Irão e em toda a região, que agora passam por mais uma provação, após anos de tribulação e angústia.  

Nenhum país, por mais poderoso que seja, deve colocar-se acima dos princípios fundamentais do direito internacional e da Carta das Nações Unidas. As ameaças mútuas e o uso de armas nunca podem constituir uma solução duradoura para os conflitos. Pelo contrário, apenas os amplificam: aprofundam o ressentimento e o ódio, desestabilizam regiões inteiras e corroem os próprios alicerces da paz e da segurança globais.

Perante uma tragédia de proporções imensas, a atual escalada reflete uma lógica de confronto que domina cada vez mais a política global, em vez da adesão aos princípios da legítima defesa, que exigem que todos os meios pacíficos possíveis sejam esgotados antes de se recorrer à força como último recurso.

Juntamo-nos ao Papa Leão XIV no seu apelo sincero a «todas as partes envolvidas para que assumam a responsabilidade moral de travar a espiral de violência» e regressem ao caminho do «diálogo razoável, sincero e responsável». Só a diplomacia que salvaguarda o «bem-estar dos povos que anseiam por uma existência pacífica baseada na justiça» pode sustentar a esperança num futuro alicerçado no respeito mútuo, na cooperação e na estabilidade.

Apelamos à União Europeia e à comunidade internacional para que envidem esforços incansáveis e conjuntos no sentido da desescalada e do pleno respeito pelo direito internacional, incluindo o direito internacional humanitário. O respeito pela dignidade inerente a cada pessoa humana e a preocupação particular com os mais pobres e vulneráveis devem permanecer no centro destes esforços. O bem das pessoas — aquelas que vivem no Médio Oriente, aquelas que lá se encontram temporariamente e todas as que sofrem as consequências mais amplas deste conflito — deve prevalecer sobre todas as considerações políticas, estratégicas ou económicas.

Neste tempo da Quaresma, rezemos especialmente pela paz: uma paz que seja simultaneamente «desarmada e desarmante», capaz de tocar os corações daqueles a quem foi confiada a responsabilidade pelo bem comum. Que o Médio Oriente, e, na verdade, o mundo inteiro, embarquem finalmente no caminho que conduz à justiça, à reconciliação e à paz duradoura.

 

+Antoine Hérouard            Maria Hammershoy

          (Copresidente)                         (Copresidente)

segunda-feira, 2 de março de 2026

Voto de Pesar


Com muito sentido pesar, comunicamos que faleceu a antiga Presidente da Junta Nacional da ACISJF portuguesa, Maria da Conceição Affonceca.

Entrou para a associação em 1969 como colaboradora do Boletim “In Via” e viria a ser vice-secretária, secretária e vice-presidente ao longo dos anos seguintes.
Em 1997 aceitou ser Presidente desta associação que dirigiu durante um quarto de século!

Partiu para a casa do Pai no dia 1 de Março, com 91 anos de uma vida dedicada à Obra da Proteção e ao serviço aos outros e a Deus.

A Maria da Conceição – Chaussy - era uma pessoa de valor extraordinário, que nos deixa um exemplo de fé, alegria e trabalho.

Rezamos pelo seu eterno descanso, pela sua Família e pela Família ACISJF.

quarta-feira, 11 de fevereiro de 2026

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Dia 11 de fevereiro, dia de Nossa Senhora de Lourdes.
Nossa Senhora de Lourdes, rogai por nós! 🙏

segunda-feira, 2 de fevereiro de 2026

Contra a apropriação política dos valores cristãos

 

Nota da Comissão Nacional Justiça e Paz

Considerando o atual momento em Portugal, a Comissão Nacional Justiça e Paz alerta para os riscos da instrumentalização dos valores cristãos para fins políticos.

Esta instrumentalização não é inédita. Tem-se assistido, nos últimos tempos, à colagem de partidos e movimentos aos valores das comunidades cristãs, através do aproveitamento de causas como a defesa do direito à vida intrauterina ou da defesa da exposição do presépio em espaços públicos, promovendo simultaneamente a discriminação e discursos de ódio. Esta estratégia visa captar eleitores que priorizam esses temas e que, por essa razão, tendem a relativizar outras posições políticas, mesmo quando estas contradigam as verdades do Evangelho.

As Igrejas cristãs e os seus fiéis devem tomar consciência do seu importante papel numa denúncia corajosa e num afastamento claro de tudo aquilo que perverte o valor fundamental de amor ao próximo.

A política, enquanto forma mais elevada da caridade e com vista à construção do bem comum, não deve promover ódio nem divisão. Nem mesmo a luta a favor da vida ou a defesa da identidade cristã podem implicar, para um cristão, prescindir das verdades do Evangelho e da doutrina social que dele brota. Uma vez que a fé cristã se funda na dignidade inviolável da pessoa e na fraternidade universal, a defesa dessas causas não pode estar dissociada dos ideais de solidariedade, verdade, justiça e paz, sem ficar corrompida.

É neste horizonte que deve situar-se o compromisso cristão na vida pública. É imperioso manter espírito crítico e rejeitar políticas que destruam os laços sociais e gerem injustiças. A Comissão exorta a um compromisso sério e empenhado com os valores democráticos, a defesa intransigente dos direitos humanos, a proteção dos mais pobres, a coesão social, a cooperação entre povos e políticas orientadas para o desenvolvimento integral de todos. É nisso que deve assentar a verdadeira radicalidade daqueles que estão comprometidos com o Evangelho.

Lisboa, 27 de janeiro de 2026

A Comissão Nacional Justiça e Paz