segunda-feira, 2 de fevereiro de 2026

Contra a apropriação política dos valores cristãos

 

Nota da Comissão Nacional Justiça e Paz

Considerando o atual momento em Portugal, a Comissão Nacional Justiça e Paz alerta para os riscos da instrumentalização dos valores cristãos para fins políticos.

Esta instrumentalização não é inédita. Tem-se assistido, nos últimos tempos, à colagem de partidos e movimentos aos valores das comunidades cristãs, através do aproveitamento de causas como a defesa do direito à vida intrauterina ou da defesa da exposição do presépio em espaços públicos, promovendo simultaneamente a discriminação e discursos de ódio. Esta estratégia visa captar eleitores que priorizam esses temas e que, por essa razão, tendem a relativizar outras posições políticas, mesmo quando estas contradigam as verdades do Evangelho.

As Igrejas cristãs e os seus fiéis devem tomar consciência do seu importante papel numa denúncia corajosa e num afastamento claro de tudo aquilo que perverte o valor fundamental de amor ao próximo.

A política, enquanto forma mais elevada da caridade e com vista à construção do bem comum, não deve promover ódio nem divisão. Nem mesmo a luta a favor da vida ou a defesa da identidade cristã podem implicar, para um cristão, prescindir das verdades do Evangelho e da doutrina social que dele brota. Uma vez que a fé cristã se funda na dignidade inviolável da pessoa e na fraternidade universal, a defesa dessas causas não pode estar dissociada dos ideais de solidariedade, verdade, justiça e paz, sem ficar corrompida.

É neste horizonte que deve situar-se o compromisso cristão na vida pública. É imperioso manter espírito crítico e rejeitar políticas que destruam os laços sociais e gerem injustiças. A Comissão exorta a um compromisso sério e empenhado com os valores democráticos, a defesa intransigente dos direitos humanos, a proteção dos mais pobres, a coesão social, a cooperação entre povos e políticas orientadas para o desenvolvimento integral de todos. É nisso que deve assentar a verdadeira radicalidade daqueles que estão comprometidos com o Evangelho.

Lisboa, 27 de janeiro de 2026

A Comissão Nacional Justiça e Paz

quinta-feira, 22 de janeiro de 2026

São Vicente, Padroeiro principal de Lisboa



Hoje é dia de S. Vicente, Padroeiro Principal da cidade e da diocese de Lisboa.
Ao contrário do que muitos pensam, o padroeiro de Lisboa não é Santo António, mas São Vicente, diácono e mártir cujo corpo foi escoltado por corvos.
As relíquias de S. Vicente, que morreu no século IV, em Valência, chegaram a Portugal no século VIII. Posteriormente, D. Afonso Henriques prometeu que, se Lisboa fosse conquistada aos mouros, traria as suas ossadas de Sagres para Lisboa, e mandaria erguer uma igreja em sua memória. Reza a história que a nau que trazia as ossadas do Santo, em 1173, terá sido protegida por dois corvos, uma imagem que ficou para sempre associada ao símbolo da cidade.







S. Vicente, segurando a barca, no Miradouro do Largo das Portas do Sol.
CML | Ana Luísa Alvim