terça-feira, 3 de novembro de 2026

UMA GERAÇÃO QUE NÃO PODE ESPERAR

 UMA GERAÇÃO QUE NÃO PODE ESPERAR

Nota da Comissão Nacional Justiça e Paz sobre o acesso à habitação

 

1. Desde há alguns anos que se vem agravando cada vez mais a dificuldade de acesso à habitação para um cada vez maior número dos nossos concidadãos. Esta situação frustra em grande medida objetivos e sucessos de redução dos níveis de pobreza e de aumento dos rendimentos do trabalho. Atinge de modo especial os jovens que pretendem constituir família, com o que seriamente se compromete o futuro do nosso país.

 

2. É dever do Governo e de todos os partidos participarem num debate sobre todos os fatores que conduziram à escassez de casas. Um debate centrado na resolução dos problemas concretos das pessoas. Um debate que não se furte a apresentar uma visão integrada e completa das várias causas  que se entrelaçam na crise habitacional que priva tantos jovens do acesso à habitação: o número de casas disponíveis; a relação entre inquilinos e senhorios; os direitos dos mais velhos em comparação com aquilo que é exigido aos mais novos; os deveres do Estado no que toca aos licenciamentos das casas, à construção de habitação social ou à promoção de parcerias com privados tendo em vista o aumento de casas no mercado.


3. O debate sobre a escassez de casas deve conduzir à definição de medidas que sejam de curto, médio e longo prazo e comprometam todos os Governos nos próximos anos em Portugal. Deve, antes de mais, conduzir numa lógica de curto prazo à definição de critérios para a distribuição dos bens disponíveis. Para além disso, deve conduzir à adoção de políticas publicas de médio e longo prazo que reponham o equilíbrio intergeracional e evitem que os protestos a que hoje assistimos se transformem em desespero e violência.


4. O debate que exigimos ao Governo e às forças partidárias deve estender-se ao seio da Igreja. A Igreja, baseando-se no compromisso que tem para com os mais pobres, deve avançar para uma reflexão profunda e para gestos concretos de ação, mobilizando-se, também ela, para contribuir - com o seu património - para arranjar soluções para aqueles que são os mais prejudicados com a escassez de casas, por serem inevitavelmente os últimos a servir-se.


5. Sabemos que o problema é complexo, para o qual qualquer resposta fácil é ilusória. Mas parece-nos que na busca dessas respostas alguns princípios devem ser tidos em conta:


Importa encontrar um equilíbrio justo entre a proteção dos interesses dos inquilinos e dos senhorios, sem esquecer a assimetria que entre eles se verifica. É, pois, necessário sopesar os interesses e direitos legítimos dos senhorios com a especial proteção devida aos inquilinos mais frágeis.


Arrendar uma casa para habitação de forma duradoura e a um preço justo é uma forma de adequar o direito de propriedade privada à sua função social. Essa opção deve ser estimulada e favorecida em relação a outras.


O Estado tem um papel na correção das imperfeições do mercado, suprindo as suas insuficiências (o que entre nós tem sido descurado) através da construção pública ou em parceria com entidades privadas, sociais e cooperativas.  Esse papel é especialmente importante para garantir o acesso à habitação para os mais pobres.


6. Alertamos para o perigo que pode resultar da insistência na associação entre o crescimento da população imigrante e a escassez de casas. O perigo é o de acentuar o clima de hostilidade para com essa população. Deve ser antes sublinhado que sem um significativo número de trabalhadores imigrantes, muitos sectores da economia nacional ficarão estrangulados. Em particular no domínio da construção civil, prescindindo de imigrantes, não será possível a construção de casas, que tão necessárias são, ao ritmo desejado.


7. É certo que há mudanças estruturais que só poderão operar no médio e longo prazo. Mas tal não pode impedir outras cujos efeitos necessariamente se façam sentir de imediato, nesta geração e não na próxima. Esta geração não pode esperar…

 

Lisboa, 30 de outubro de 2026


A Comissão Nacional Justiça e Paz  

sexta-feira, 2 de outubro de 2026

Saúde Mental



A Rede Mundial de Oração do Papa divulgou a intenção de oração de Leão XIV para o mês de outubro.


segunda-feira, 28 de setembro de 2026

Incluir

 

No dia 30 de setembro, das 15h00 às 17h00, na Casa do Brasil de Lisboa, participe no lançamento da campanha contra a discriminação “Faz da Inclusão a Tua Regra”, uma iniciativa da Rede DLBC Lisboa inserida no projecto "Involve" (Horizonte EU). Construída a partir de histórias e experiências reais de pessoas imigrantes e de minorias étnicas no acesso e atendimento em serviços públicos, a campanha procura dar visibilidade a diferentes formas de discriminação e desafiar-nos a reconhecer preconceitos, questionar comportamentos e fazer da inclusão uma prática do dia a dia.

 Inscrições abertas, aqui

quarta-feira, 23 de setembro de 2026

Gerações em Diálogo

 


Este Encontro, promovido pelo Departamento para os Direitos Sociais da Câmara Municipal de Lisboa, decorrerá já no dia 29 de setembro de 2026, entre as 09h00 às 16h30, no MUDE - Museu do Design, sito na Rua Augusta, n.º 24, Lisboa.


terça-feira, 22 de setembro de 2026

Ajude a ACISJF em Viana do Castelo



Contribua em : https://ppl.pt/ACISJF


 VIVER O BAIRRO surge da necessidade de dar continuidade a uma resposta social real que apoia mulheres e famílias desde 1984! Vamos dar vida e cuidar deste lugar! 9 famílias, 16 crianças, 3 postos de trabalho. Somos muitos, Somos UM!

Porquê VIVER O BAIRRO? 

O futuro espaço da nova sede situa-se no Bairro dos Pescadores junto à Praia Norte onde vivem maioritariamente população idosa ou migrante. Vamos dar vida e cuidar deste lugar!

Neste momento apoiamos 9 famílias, 16 crianças e 3 postos de trabalho. Fazemos artesanato e organizamos workshops de arte manual e desenvolvimento humano que ocupam e revitalizam a comunidade local.

O nosso foco é remodelar o novo espaço sede (cedido pelo Município) para deixarmos de pagar renda (200€ por mês) e onde se reúnem, pela área envolvente existente que é pública, condições maravilhosas pois temos:

  • parque de recreio e jogos - onde podemos ver as crianças brincar enquanto outras estudam na sede
  • parque de merendas - maravilhoso para convívio com a comunidade e lanche ao ar livre
  • uma pequena capela  - para estimular a pausa, a reflexão, a oração e o silêncio 
  • estamos ao lado da praia e das escolas das crianças  - o que nos permite deslocar sem necessidade de transporte
  • temos vizinhos que são parceiros de uma rede social - exemplo do Banco Alimentar; do Instituto Politécnico de Viana do Castelo - projeto Escola Inclusiva; assim como empresas
  • é uma zona que tem potencial para nós crescermos
     

VIVER O BAIRRO tem a intenção de promover o relacionamento e de (re)aprender a viver em comunidade, servindo não só os que se encontram em condições de vulnerabilidade mas também dos que cuidam e servem noutras instituições, através de UMA REDE SOCIAL REAL.

quarta-feira, 16 de setembro de 2026

Temos tempo para Escutar quem precisa?

 


Elias chega ao limite e deseja morrer. Deus não responde com uma repreensão espiritual nem lhe exige força imediata.

Primeiro, aproxima-se, deixa-o descansar, alimenta-o e acompanha-o. Só depois o caminho recomeça.

Esta passagem não é uma receita clínica, mas recorda-nos algo essencial: o sofrimento profundo precisa de ser levado a sério. A fé, a escuta e o apoio profissional não são concorrentes. Podem caminhar juntos.

Se alguém te disser que já não aguenta, não minimizes, não moralizes e não prometas soluções fáceis. Fica presente e procura ajuda adequada.

Pedir ajuda pode ser o primeiro gesto de esperança.