
quarta-feira, 11 de fevereiro de 2026
segunda-feira, 2 de fevereiro de 2026
Contra a apropriação política dos valores cristãos
Considerando o atual momento em Portugal, a Comissão Nacional Justiça e Paz alerta para os riscos da instrumentalização dos valores cristãos para fins políticos.
Esta instrumentalização não é inédita. Tem-se assistido, nos últimos tempos, à colagem de partidos e movimentos aos valores das comunidades cristãs, através do aproveitamento de causas como a defesa do direito à vida intrauterina ou da defesa da exposição do presépio em espaços públicos, promovendo simultaneamente a discriminação e discursos de ódio. Esta estratégia visa captar eleitores que priorizam esses temas e que, por essa razão, tendem a relativizar outras posições políticas, mesmo quando estas contradigam as verdades do Evangelho.
As Igrejas cristãs e os seus fiéis devem tomar consciência do seu importante papel numa denúncia corajosa e num afastamento claro de tudo aquilo que perverte o valor fundamental de amor ao próximo.
A política, enquanto forma mais elevada da caridade e com vista à construção do bem comum, não deve promover ódio nem divisão. Nem mesmo a luta a favor da vida ou a defesa da identidade cristã podem implicar, para um cristão, prescindir das verdades do Evangelho e da doutrina social que dele brota. Uma vez que a fé cristã se funda na dignidade inviolável da pessoa e na fraternidade universal, a defesa dessas causas não pode estar dissociada dos ideais de solidariedade, verdade, justiça e paz, sem ficar corrompida.
É neste horizonte que deve situar-se o compromisso cristão na vida pública. É imperioso manter espírito crítico e rejeitar políticas que destruam os laços sociais e gerem injustiças. A Comissão exorta a um compromisso sério e empenhado com os valores democráticos, a defesa intransigente dos direitos humanos, a proteção dos mais pobres, a coesão social, a cooperação entre povos e políticas orientadas para o desenvolvimento integral de todos. É nisso que deve assentar a verdadeira radicalidade daqueles que estão comprometidos com o Evangelho.
Lisboa, 27 de janeiro de 2026
A Comissão Nacional Justiça e Paz
quarta-feira, 28 de janeiro de 2026
quinta-feira, 22 de janeiro de 2026
São Vicente, Padroeiro principal de Lisboa
As relíquias de S. Vicente, que morreu no século IV, em Valência, chegaram a Portugal no século VIII. Posteriormente, D. Afonso Henriques prometeu que, se Lisboa fosse conquistada aos mouros, traria as suas ossadas de Sagres para Lisboa, e mandaria erguer uma igreja em sua memória. Reza a história que a nau que trazia as ossadas do Santo, em 1173, terá sido protegida por dois corvos, uma imagem que ficou para sempre associada ao símbolo da cidade.
S. Vicente, segurando a barca, no Miradouro do Largo das Portas do Sol.
CML | Ana Luísa Alvimquarta-feira, 14 de janeiro de 2026
segunda-feira, 12 de janeiro de 2026
quinta-feira, 8 de janeiro de 2026
quarta-feira, 7 de janeiro de 2026
terça-feira, 6 de janeiro de 2026
segunda-feira, 5 de janeiro de 2026
sexta-feira, 2 de janeiro de 2026
quinta-feira, 1 de janeiro de 2026
Nota da Comissão Nacional Justiça e Paz sobre a mensagem do Papa para o Dia Mundial da Paz
SE QUERES A PAZ, PREPARA A PAZ
Como vem sendo habitual, a Comissão Nacional Justiça e Paz quer, com esta nota, salientar alguns aspetos da mensagem do Papa para o Dia Mundial da Paz que lhe parecem de particular relevância no momento atual do nosso país.
Nessa mensagem é referido o incremento de despesas militares no mundo inteiro que desde há vários anos se verifica de forma ininterrupta. Um incremento sem precedentes está previsto para o nosso país e para os outros membros da União Europeia. Esta união de Estados nascida como alternativa a um passado de guerras contínuas parece preparar-se para a inevitabilidade da guerra. E fá-lo através da dissuasão, segundo o velho adágio: “se queres a paz, prepara a guerra”.
A mensagem do Papa rejeita esta lógica como alicerce da paz autêntica. Afirma:
«Na verdade, a força dissuasiva do poder e, em particular, a dissuasão nuclear, encarnam a irracionalidade de uma relação entre os povos baseada não no direito, na justiça e na confiança, mas no medo e no domínio da força. Como já escrevia São João XXIII na sua época: “O resultado é que os povos vivem em terror permanente, como sob a ameaça de uma tempestade que pode rebentar a cada momento em avassaladora destruição. Já que as armas existem e, se parece difícil que haja pessoas capazes de assumir a responsabilidade das mortes e incomensuráveis destruições que a guerra provocaria, não é impossível que um fato imprevisível e incontrolável possa inesperadamente atear esse incêndio”».
A verdadeira paz não assenta na desconfiança, no medo e no “equilíbrio do terror”. Esse equilíbrio é sempre precário e instável; envolve sempre o perigo de passar da ameaça ao uso efetivo. Por outro lado, a corrida aos armamentos gera uma escalada que pode não ter fim, porque à ameaça se responde com outra ameaça maior. E desse modo se desviam para fins militares avultados recursos que mais necessários seriam para a promoção do progresso social.
Há alternativas que servem para construir essa paz autêntica, que certamente também não assenta na rendição perante a injustiça. Constroem essa paz autêntica a implementação do direito internacional, a cooperação entre os Estados, o desenvolvimento dos povos, as mudanças de regime por meios pacíficos (mudanças que a história recente também regista).
Denuncia também esta mensagem políticas educativas que reforçam a ideia da inevitabilidade das guerras: «em vez de uma cultura da memória, que preserve a consciência adquirida no século XX e não esqueça os milhões de vítimas, promovem-se campanhas de comunicação e programas educativos em escolas e universidades, bem como nos meios de comunicação social, que difundem a perceção de que se vive continuamente sob ameaça e transmitem uma noção de defesa e segurança meramente armada».
Os apelos desta mensagem não se dirigem apenas aos responsáveis políticos, dirigem-se a todas as pessoas. A polarização que hoje exacerba muitos conflitos (e também entre nós) não se limita às relações entre políticos e entre governos, invade muitos âmbitos socias. O desarmamento que propõe esta mensagem é, antes de tudo, o «do coração, da mente e da vida».
Para esse “desarmamento” devem contribuir as várias religiões. Afirma a mensagem: «As grandes tradições espirituais, assim como o reto uso da razão, fazem-nos ir além dos laços de sangue e étnicos, ou daquelas fraternidades que reconhecem apenas quem é semelhante e rejeitam quem é diferente. Hoje vemos como isso não é óbvio. Infelizmente, faz parte do panorama contemporâneo, cada vez mais, arrastar as palavras da fé para o embate político, abençoar o nacionalismo e justificar religiosamente a violência e a luta armada. Os fiéis devem refutar ativamente, antes de tudo com a sua vida, estas formas de blasfémia que obscurecem o Santo Nome de Deus».
A paz a que aludiu Leão XIV na sua primeira alocução e a que também alude nesta mensagem não é uma construção puramente humana, é a paz que Cristo ressuscitado dá aos seus discípulos («Dou-vos a paz, deixo-vos a minha paz») é a «paz desarmada e desarmante, humilde e perseverante», que «provém de Deus, o Deus que nos ama a todos incondicionalmente».
O velho adágio “se queres a paz, prepara a guerra”, deve, pois, ser substituído por este outro: “se queres a paz, prepara a paz”.
Lisboa, 29 de dezembro de 2025
A Comissão Nacional Justiça e Paz







