O ataque terrorista recentemente perpetrado à
Paróquia de São Luís de Monfort e à missão católica de Meza na diocese de
Pemba, Moçambique, deixa-nos profundamente chocados e com receio do
recrudescimento da violência contra a comunidade cristã. As imagens são
devastadoras.
Foram raptados 20 jovens, profanada e destruída a
igreja, construída em 1946, e todas as estruturas da missão católica, privando
a população de cuidados de saúde e instrução.
Cristãos católicos e cristãos de outras denominações
viram as suas casas destruídas num ataque de ostensiva intimidação e
perseguição e continua desconhecido o paradeiro dos jovens levados pelos
terroristas, motivo de grande aflição para todos, em particular para as suas
famílias.
Refira-se que a Comunidade Islâmica de Moçambique
[CIMO] já condenou o ataque terrorista e manifestou “a sua profunda
preocupação” pelo que está a acontecer na província de Cabo Delgado.
Infelizmente, o apoio da União Europeia às Forças de
Defesa do Ruanda (RDF) ao abrigo do Mecanismo Europeu de Apoio à Paz — cerca de
20 milhões de euros — parece terminar este mês, o que não deixa auspiciar nada
de bom, sabendo que as ações armadas já fizeram perto de 7000 mortos nos
últimos 10 anos.
A Comissão Nacional Justiça e Paz lança um apelo às
autoridades portuguesas, em especial a Sua Excelência o Ministro de Estado e
dos Negócios Estrangeiros, para que lance mão de todos os meios ao alcance de
Portugal de modo a fazer respeitar a paz e a segurança destas comunidades com
quem partilhamos a nossa História e a Língua Portuguesa.
Quando todas as atenções se concentram no Golfo
Pérsico e no massacrado Líbano, estes atos da mais bárbara violência ficam sem
voz nos noticiários, pelo que nos juntamos à Fundação AIS (Ajuda à Igreja que
Sofre) neste apelo.
Lisboa, 11 de maio de 2026
A Comissão Nacional Justiça e Paz